Omulu – PTBR

Lenda um:

O Rei sobre os vivos

Omulu nasceu Obaluayê, filho de Nanã-Boruquê. Filho de rei e rainha, nasceu como rei do Mundo ou Obaluayê. Destinado a governar sobre tudo e sobre todos os seres vivos, o Rei Sobre os Vivos.

A Sua mãe

Sua mãe, vaidosa, abusivamente bela, sedutora e poderosa, mesmo sendo profundamente destemida a ponto de ter seduzido Oxalá, rei sobre a existência, filho do Deus supremo sobre universo, ela tinha um medo.

Ela sabia que o filho vindouro carregaria as marcas do erro.

O intocável Oxalá, havia caído em sua rede de charmes e encantos e nela sua semente sagrada de um poder magnífico havia sido deixada.

Omulu viria ao mundo com as marcas desse erro, como uma pobre e vergonhosa vítima da varíola. Essas deformidades, inaceitáveis para a vaidosa rainha Nanã-Boruquê, seriam também a marca de seu erro e sua culpa, a vergonha não apenas da feiura, mas do trágico mal uso de suas forças. A vergonha sob as marcas do filho vindouro.

O abandono

Após seu nascimento, Omulu é largado por sua mãe embaixo de uma ponte, na beira de um rio caudaloso, na exata travessia entre dois mundos.

Largado ao seu destino, desamparado de sua mãe e desconhecido de seu pai, para Omulu, resta em seu peito recém-nascido, apenas a força do choro. De seus olhos, fechados e lacrimejante em seu rosto deformado, as lágrimas de medo arrastam o pó que se acumula do mundo que deveria ser seu.

O pulmão e o peito forte, somente presente no rei sobre os vivos, alimentam o choro que reverbera pelos mundos, clamando ajuda e, principalmente, um colo quente aonde se amparar.

A adoção

Yemanjá, a rainha do amor, perpetuadora da esperança, e sopro gentil sobre os olhos empoeirados dos sofredores, reconhece o choro, sem nunca o ter ouvido. É a mãe que reconhece no choro do filho alheio, a fome dos seus, e rapidamente goteja o leite para simplesmente nutrir. Recolhendo o rei em suas mãos, leva-o para o mar eterno, seu reino quente e acolhedor.

A eterna redenção do herói

Obaluayê não mais existe nesse mundo até o dia em passa novamente a existir. Mas, não é mais si mesmo, é outro, Omulu vêm do reino de Yemanjá vestindo seu Azo-iko (roupa de palha) e seu capuz de iko. Traz em sua mão o Xaxará, seu cetro adornado com palha fibra-de-dendezeiro, contas e búzios.

Retorna mais rei do foi quando era nascido. Agora que é retono de existência é rei sobre os vivos e sobre a morte. Aqueles que morrem da doença e da peste, morrem pelo que traz e pelo que leva Omulu. Aqueles encontram a doença e saúde, encontram aquilo que leva e traz Omulu.

A redenção

Sua mãe, assustada e arrependida pelo imensos e infinitos tempos de culpa, ajoelha-se aos seus pés e lhe entrega o seu reino de direito. Oxalá ciente, então, de sua história, coroa e consagra omulu em toda sua magnitude. A existência celebra o poder da vida, da saúde, da doença e da morte em um só rei sobre os vivos e mortos.

O perdão aos humildes, sofridos e desamparados, o perdão aos desacorçoados e perdidos, caminha com Omulu como a doçura caminha com os velhos que da sabedoria se alimentam. Nanâ-Boruquê é redimida de sua culpa e senta-se altiva novamente no panteão dos orixás.

Omulu é Rei.